Reflexão

-Sabe o que eu mais sinto falta, Charlie?

-O que?

-Das pessoas.

-Mas você está cercado de gentes.

-Essas todas já não se lembram mais como é apenas ser,Charlie. Já não sabem mais.

Tempos

Eram muitos amigos. Mas no meio de tantos dias que se foram e quilômetros que vieram, a gente nem se sabe mais.

Vieram novos amigos. Mas estes tão distantes, ainda que tão perto, que desses na verdade nunca se soube.

Tanta vida aqui, ali e em todo prévio lugar. Já andei tanto, já cansei de andar. Já sentei, esperei, levantei pra voltar a andar.

O que era antes, não é agora. Nunca mais será. Ou virá. De novo como um dejà vu do sonho que vivi acordada em outro lugar.

Não sei nada a vida, exceto que a vida não é permanente. O que tenho é hoje, é agora, sou eu e meu pensamento.

Futebol

Você não escolhe um time. Você é escolhido, iluminado, abençoado pelos deuses do futebol para fazer parte de um sentimento maior, algo que os não instruídos nunca entenderão. É uma devoção. Uma religião.

Seu coração recebe uma nova  configuração. Passa a entender uma nova forma de amor. O seu time é o seu orgulho. Os  jogadores, os guerreiros de nossas batalhas-campeonato. 

Nunca estamos preparados. Nunca nos acostumamos.  Sofremos, choramos. Cada título é mais uma estrela no passado de glórias. Cada derrota encerra um dia com  tristezas, apenas para voltar no próximo fim de semana trazendo o sentimento de  reafirmação, de sede de  glórias,de ser quem somos,  gigantes, campeões.  Que todos vejam nossa grandeza, que nossos adversários queiram nos derrubar, que nosso nome seja mais uma vez escrito nos livros da história.

Somos únicos, somos loucos, somos  apaixonados. Somos  torcedores,e não tem nada melhor do que ser campeão.
Parabéns Santa Cruz Futebol Clube.

28o título de campeão  pernambucano, 03/05/2015

Torcedor

Faz tanto tempo que não escrevo nada, que ao sentar agora mil assuntos vieram a mente disputando a vaga para sair do mundo das ideias e vir pro papel. 

Não consigo escolher um deles. O corretor ortográfico me faz ir e vir em defesa do bom português. A narração do jogo da minha paixão agora distante amarga um gol de pênalti pro adversário. Um jogador expulso. 

 Um jogo que não vale mais nada pra classificação. Mas como um clássico poderia não valer nada? Como um gol adversário poderia não machucar o pobre coração de um torcedor apaixonado?

Como se a dor não fosse grande o suficiente, o locutor do rádio anuncia um 3×0. Que absurdo! Que ousadia! A vontade louca de ligar, gritar, denunciar, bater na cara do infeliz para que preste atenção no que faz, que dê o resultado certo. É o mínimo que se pode fazer numa locução de rádio. Fico imaginando o pobre coitado que acabara de ligar o radinho e escuta tamanho desatino. Tamanha ousadia.

Segue o jogo. Seguimos com um a menos. O zagueiro foi expulso no pênalti do gol adversário. O técnico mudou rápido, colocou mais um zagueiro, por infelicidade o reserva é bem mais jogador que o infeliz expulso. Mas só entra agora. Desatinos do técnico, ou ilusão de minha ira de torcedor.

A bola ia entrando! Quase nosso gol! Quase contra! Mas não. Espalma o goleiro. Morre o golzinho na linha de fundo. Ai time pra me fazer sofrer. 

O estádio está lotado. Somos torcida visitante que “invadiu” o campo adversário. Era para ser um dia glorioso. Mas sempre tenho que me preparar para os dias que devem ser gloriosos quando o assunto é futebol.

A distância que afasta os companheiros de sofrimento é amenizada por mensagens de Internet. Não consolo, sou muito mais consolada. A gente pensa que por estar longe sofre menos, mas acho que sofre mais.  Segue o jogo, mas acabou a Internet. Perdi a conexão no meio do segundo tempo. Agora eu rezo, porque só resta a fé e a fé é a arma única do torcedor longe do do estádio, que não pode gritar, xingar ou comemorar. 

Tentamos ter fé porque só nos permitimos parar de sonhar no último segundo dos 45.

Segue o jogo. Sigo torcendo.

letras e cores

Eu escrevia

tinha letras e elas brincavam

passeando e como vinham, iam

mas sempre me voltavam.

Um dia perdi as letras

e ficaram apenas as fotos e os quadros

e as memórias daquelas noites de frio

pintadas de azul e amarelo.

Chega de saudade!

A ultima foto eu estava com um casaco dele, do time dele. Já faz tanto tempo. Tem trocentas novas fotos no meu celular, mas nenhuma tem o sorriso dele. E isso já deixa tudo errado!
Posso parecer boba por sofrer de saudade tanto assim, mas não sei como fazer com a falta tão imensa de uma parte de mim! E sei que somos adultos e temos que nos bastar a nós mesmos, mas é muito melhor dividir meus dias com ele!
Depois de quase um mês, já fui forte demais, sensata demais, comportada demais pra dizer que ta tudo bem! Agora falo mesmo: volta pra casa, amor. Já tá bom de saudade de você.

https://m.youtube.com/watch?v=UzFJwiHRwDg

Necessary Roughness

Eu sempre tive esse medo insano de acabar louca. Nem me lembro desde quando, mas esse fantasma sempre esteve lá.

O medo está aqui, e não saber expressá-lo faz parte do processo. Não sei dizer o que me aterroriza, não sei dizer porque choro, não sei. Essas coisas todas ficam entrando na minha mente, e minha mente nunca se cala. Nunca dorme. E às vezes, nem me deixa dormir.

É preciso ser forte. É preciso ir além. Push. Again. Push.

Ser melhor, Ser mais forte. Não chore, não desista. Não amoleça.

Odeio quando mostro o outro lado pra alguém, porque me sinto a pessoa mais frágil e estúpida do mundo, chorando sem motivo, já que tenho tudo que alguém precisa pra ser feliz.

Certo?

 

Juro que vou segurando até o máximo, até o limite. Mas o que fazer depois de cruzar esta linha? Quando termina o dia, pra onde a gente vai pra se sentir seguro, em paz? Quando se está sozinha, como dizer a si mesma pra não desesperar? Que o mundo é esse aí, que as pessoas são assim mesmo, que isso tudo é normal. Get used, right?

Quando acabam todas as amenidades e preocupações do dia, quando só resta você pra te fazer companhia, dia após dia, o que você faz? Um amigo me disse que havia muitos problemas em pensar demais. Não que eu me ache uma grande pensadora contemporânea, mas gasto horas e dias e semanas pensando, enquanto lido com minhas próprias construções psicológicas, se é assim com todo mundo. Se todo mundo deita a noite na cama e tem os mesmos pesadelos que eu tenho, acordada. Se tem os mesmos medos e inseguranças que eu carrego vida afora.

As vezes acredito que a vida vai ser boa comigo e vai deixar eu juntar toda essa loucura num bestseller antes de morrer. Que também vou conseguir passar pela vida sem maiores danos. Que vai tudo acabar bem.

Mas a noite, quando se apaga a luz, ninguém sabe mais de mim do que eu mesma.

E eu ainda não sei de nada.

Previous Older Entries